História

Mauá se despede de Yasuichi Kojima, referência histórica da arte e da cerâmica na cidade

Aos 92 anos, faleceu Yasuichi Kojima, artista plástico, ceramista e um dos nomes históricos ligados à produção de porcelana e à arte em Mauá. Imigrante japonês que chegou ao Brasil em 1953, Kojima estabeleceu-se no município, onde construiu sua carreira, fundou a tradição da Porcelana Kojima ao lado da família e teve seu trabalho reconhecido como patrimônio cultural da cidade.

Mauá se despede de Yasuichi Kojima, referência histórica da arte e da cerâmica na cidade

Mauá perdeu, na segunda-feira (28), um dos nomes que ajudaram a construir a história artística e industrial do município. Aos 92 anos, morreu o artista plástico e ceramista Yasuichi Kojima, cuja trajetória esteve diretamente ligada à produção de porcelana e ao desenvolvimento da arte cerâmica em Mauá. A causa da morte não foi divulgada.

Nascido no Japão em 24 de fevereiro de 1934, Kojima formou-se na Escola de Cerâmica Industrial de Tajimi, em Gifu. Em 1953, aos 19 anos, imigrou para o Brasil como técnico de cerâmica. Inicialmente, trabalhou durante cinco anos em São Caetano do Sul. Em 1958, com a chegada de sua família ao país, mudou-se para Mauá, onde iniciou uma história que se tornaria parte da própria identidade cultural da cidade.

Foi em Mauá que a família Kojima instalou seu primeiro forno de porcelana. A primeira queima ocorreu em 1959, segundo registros da Pinacoteca Municipal de Mauá. A fábrica da família, a Porcelana Kojima, permanece em funcionamento até hoje.

Da cerâmica à pintura

Embora tenha se destacado pela atuação no segmento cerâmico, Yasuichi Kojima também construiu uma importante trajetória nas artes plásticas. Naturalizado brasileiro, estudou pintura com artistas como Manabu Mabe, Takaoka e Nakajima, desenvolvendo inicialmente trabalhos de caráter abstrato durante as décadas de 1960 e 1970.

Posteriormente, dedicou-se novamente à pintura, retomando os pincéis no início dos anos 2000, desta vez com uma produção predominantemente figurativa. Durante o período de isolamento provocado pela pandemia, produziu diversas telas retratando a arquitetura local e brasileira.

A Pinacoteca Municipal de Mauá mantém em seu acervo obras de Kojima, entre elas as pinturas "Composição Amarelo" e "Composição Azul", ambas de 1968, produzidas em óleo sobre tela.

Sua produção também ultrapassou os limites de Mauá. Entre suas obras está "Centro Histórico da Bahia", doada ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo. Ao longo de sua carreira, participou de exposições em Mauá, no Grande ABC e na capital paulista.

Patrimônio cultural de Mauá

A importância de Kojima para a cidade não se restringiu às galerias e aos museus. O processo de fabricação de arte cerâmica desenvolvido pelo artista foi reconhecido e tombado pelo município como patrimônio cultural de valor histórico, artístico e cultural.

Em agosto de 2025, já aos 91 anos, Kojima participou do 1º Encontro do Patrimônio Histórico de Mauá, promovido pela Secretaria de Cultura em parceria com o CONDEPHAAT-Ma. Ele integrou a mesa sobre Patrimônio Artístico, apresentando sua trajetória e falando sobre o bem imaterial relacionado à produção cerâmica na cidade. O evento também contou com uma exposição de porcelanas da Cerâmica Kojima e obras pertencentes ao acervo da Pinacoteca de Mauá.

A relação entre Kojima e a memória de Mauá também foi registrada pelo Diário do Grande ABC. Em reportagem publicada em 2021, o jornal destacou a importância da Cerâmica Kojima para a história da porcelana no município e lembrou que a produção da família ajudou a levar o nome de Mauá para diferentes regiões do país.

A morte de Yasuichi Kojima encerra uma trajetória de mais de sete décadas ligada ao Brasil e, particularmente, a Mauá. Seu legado permanece nas obras preservadas em acervos, nas peças produzidas pela família, na memória da indústria cerâmica mauaense e no patrimônio cultural que ajudou a construir.

Para Mauá, a despedida de Kojima representa também a perda de uma testemunha e protagonista de um período importante da história artística e industrial da cidade.