Moinho São Jorge vai a leilão por R$ 144,9 milhões e pode ganhar novo destino em Santo André
O histórico Moinho São Jorge, em Santo André, está disponível para leilão por mais de R$ 144,9 milhões no segundo leilão. Com mais de 100 mil m² de área construída, o complexo industrial reúne estruturas históricas e pode ganhar uma nova utilização, movimentando investimentos, empregos e a economia da região.
Complexo industrial de mais de 100 mil m² de área construída reúne estruturas históricas e está localizado na Avenida dos Estados
Um dos mais conhecidos complexos industriais de Santo André pode ganhar um novo capítulo em sua história. O antigo Moinho São Jorge, localizado na Avenida dos Estados, nº 1.171, no bairro Santa Terezinha, está disponível para leilão judicial por meio da LEJE – Leilão Judicial Eletrônico.
O imóvel é alvo de processo que tramita perante a 1ª Vara da Fazenda Pública de Santo André. Além do valor milionário envolvido na negociação, o leilão chama atenção pelas dimensões do complexo e pela importância histórica que o Moinho São Jorge possui para a cidade e para o Grande ABC.
Complexo possui mais de 100 mil m² de área construída
De acordo com as informações do leilão, o imóvel possui 22.550 m² de terreno e 100.697,20 m² de área construída. O complexo é formado por quatro matrículas que, fisicamente, integram uma única estrutura industrial.
A área reúne diferentes construções e espaços, incluindo área fabril, silos, galpões, padaria, capela, salão de eventos, obras de arte incorporadas, área externa e um grande pátio pavimentado destinado à circulação e ao transporte de cargas.
Atualmente, o imóvel encontra-se vago. Um eventual comprador poderá avaliar diferentes possibilidades de utilização do espaço, respeitando as características do imóvel, a legislação urbanística e as condições estabelecidas no edital.
A avaliação do complexo é de R$ 289.890.064,56. No segundo leilão, marcado para 29 de outubro de 2026, às 14h, os lances terão início em R$ 144.945.032,28, equivalente a 50% do valor de avaliação.
O primeiro leilão está programado para 8 de outubro de 2026, às 14h.
Moinho São Jorge faz parte da história industrial da região
Fundado em 1951, o Moinho São Jorge foi criado pela família Chammas em um período de expansão da indústria de moagem de trigo no Brasil. A empresa se tornou uma referência industrial de Santo André e do Grande ABC.
A localização do empreendimento também teve papel importante em sua operação. A proximidade com a ferrovia e com a Avenida dos Estados facilitava o recebimento de matérias-primas e a distribuição dos produtos, conectando o complexo a centros consumidores e às principais rotas de transporte da região.
Estudos e registros históricos apontam que o moinho chegou a ser considerado uma das maiores e mais modernas estruturas de moagem de trigo do país. Sua atuação estava concentrada principalmente na produção de farinha e derivados do trigo, além de outros produtos ligados ao setor alimentício.
Capela e Palácio de Mármore reforçam importância histórica
Além da relevância industrial, o complexo também possui elementos de importância cultural e arquitetônica.
Entre as estruturas estão a Capela de São Jorge e o chamado Palácio de Mármore, salão de festas localizado em um dos pavimentos do edifício. Segundo o material do processo, a Prefeitura de Santo André reconhece o Moinho São Jorge como uma referência econômica e cultural para o município.
O conjunto também foi objeto de estudos de preservação pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (COMDEPHAAPASA).
Entre os elementos destacados nos documentos do Conselho estão a capela, seus vitrais, obras de arte e o painel existente no salão de festas.
Novo uso pode movimentar a economia
A eventual arrematação do imóvel abre a possibilidade de uma nova utilização para uma área de grandes dimensões e localizada em uma região tradicionalmente ligada à atividade industrial.
Entre as possibilidades estão operações industriais, centros de distribuição, estruturas logísticas, empreendimentos empresariais ou outras atividades permitidas pela legislação.
A utilização do complexo também pode gerar impactos econômicos para a região, com demanda por profissionais de diferentes áreas, incluindo manutenção, segurança, logística, administração e transporte, além de fornecedores terceirizados.
Uma nova atividade no local também poderia movimentar empresas e prestadores de serviços instalados nas proximidades, contribuindo para a geração de renda e oportunidades de trabalho.
Outro aspecto destacado é a possibilidade de recuperação e adaptação de uma estrutura industrial já existente, permitindo que o espaço seja modernizado para receber uma nova finalidade econômica.

Leilão está relacionado a execução fiscal
O processo também possui uma dimensão relacionada à recuperação de crédito tributário.
O imóvel está envolvido em uma execução fiscal, e o laudo de avaliação utilizado no processo teve origem nos autos da execução fiscal nº 1501084-27.2015.8.26.0554.
A alienação judicial do patrimônio poderá contribuir para a satisfação do crédito tributário objeto da cobrança, conforme as regras do processo e da legislação aplicável.
Nesse contexto, a eventual arrematação representa não apenas a transferência do imóvel para um novo proprietário, mas também uma possibilidade de recuperação de recursos relacionados ao crédito público.
Um novo capítulo para um patrimônio histórico
O futuro do Moinho São Jorge ainda depende do resultado do processo e de uma eventual arrematação. Caso o complexo seja adquirido e receba uma nova atividade, os efeitos poderão ultrapassar os limites do próprio imóvel.
A ocupação da área pode estimular investimentos privados, movimentar fornecedores, gerar empregos e ampliar a circulação de pessoas e serviços na região.
Ao mesmo tempo, a recuperação do crédito tributário decorrente da execução fiscal poderá contribuir para a arrecadação municipal, conforme as prioridades do poder público e a legislação vigente.
Assim, o leilão coloca novamente em evidência um dos símbolos da história industrial de Santo André e abre uma discussão sobre o futuro de um patrimônio que, durante décadas, esteve ligado à economia do Grande ABC.
Confira as informações do leilão
Imóvel: Complexo Industrial do antigo Moinho São Jorge
Local: Avenida dos Estados, nº 1.171 – Santa Terezinha, Santo André/SP
Área do terreno: 22.550 m²
Área construída: 100.697,20 m²
Valor de avaliação: R$ 289.890.064,56
1º leilão: 08/10/2026, às 14h
2º leilão: 29/10/2026, às 14h
Lance inicial no 2º leilão: R$ 144.945.032,28
ID na LEJE: 7930
As condições do leilão, documentos, matrículas, laudo de avaliação e demais informações devem ser consultados diretamente no edital e na página oficial do leilão.











