História

Rádio ZFM: a história da emissora comunitária que deu voz a Mauá

A Rádio ZFM, criada em 1993 no Jardim Zaíra, tornou-se uma importante experiência de comunicação comunitária em Mauá. A emissora levou ao público informações sobre os bairros, jornalismo local, futebol de várzea, música e projetos educacionais. Após anos de mobilização, recebeu autorização oficial em 2006 para operar na frequência 87,5 FM. Entre suas iniciativas esteve o projeto Rádio Escola, que aproximou estudantes da produção radiofônica.

Rádio ZFM: a história da emissora comunitária que deu voz a Mauá

Criada no Jardim Zaíra em 1993, Rádio ZFM nasceu de um movimento comunitário e se tornou parte da história da comunicação de Mauá

Antes das redes sociais e dos aplicativos de mensagens transformarem a comunicação local, moradores de Mauá já encontravam nas ondas do rádio um espaço para falar sobre os problemas, acontecimentos e histórias da cidade. Foi nesse contexto que surgiu a Rádio ZFM, uma das experiências mais marcantes de comunicação comunitária do município.

A história da emissora começou em 1993, no Jardim Zaíra, a partir de um movimento organizado por Valmir Maia da Silva, que buscava criar uma rádio voltada às questões locais. Segundo o histórico publicado pela própria emissora, naquele período Mauá ainda não possuía uma rádio própria, e a proposta era criar um meio de comunicação capaz de aproximar a população dos acontecimentos da cidade.

A Rádio Z nasceu com uma proposta de comunicação comunitária, envolvendo moradores, representantes do poder público, organizações não governamentais e entidades sociais. Durante os primeiros anos, entretanto, a emissora funcionou sem registro oficial.

Uma longa luta pela regularização

Entre 1993 e 1998, representantes ligados à emissora participaram de um processo para buscar a regularização da rádio comunitária. Em 1997 foi criada a Associação Comunitária, Ecológica, Educativa e Cultural “Z”, entidade que tinha entre seus objetivos promover a difusão de ideias, cultura, tradições e hábitos da comunidade.

Após a aprovação da Lei nº 9.612, em 1998, que regulamentou o serviço de radiodifusão comunitária no Brasil, a mobilização ganhou novos capítulos.

De acordo com o histórico da própria Rádio Z, foram reunidas 192 assinaturas de representantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário de Mauá, além de entidades sociais, em apoio ao processo de regularização.

O pedido foi protocolado no Ministério das Comunicações em 23 de setembro de 1998. A autorização, entretanto, somente seria concedida anos depois, em 16 de dezembro de 2006. A partir daquele momento, a emissora passou a operar oficialmente na frequência 87,5 FM.

Jornalismo, futebol e música

A programação da Rádio ZFM tinha forte ligação com o cotidiano mauaense. Estudos acadêmicos sobre a emissora registram uma grade que reunia jornalismo local, cobertura do futebol de várzea, músicas antigas e sucessos da época.

A proposta era diferente daquela encontrada nas grandes emissoras comerciais. O bairro, a escola, o comércio, o futebol amador e os problemas enfrentados pelos moradores tinham espaço na programação.

A experiência da Rádio Z chegou a ser estudada no meio acadêmico como exemplo de comunicação comunitária e participação social. Uma dissertação de mestrado analisou, inclusive, a relação da emissora com movimentos de moradia e moradores da região do Chafic, em Mauá.

Rádio e educação

Um dos projetos que marcaram a trajetória da emissora foi o Rádio Escola, iniciativa que aproximou estudantes da produção radiofônica.

A Rádio Z desenvolveu parceria com escolas públicas para que alunos pudessem produzir conteúdos e conhecer, na prática, o funcionamento de uma emissora.

Em 2010, estudantes da Escola Estadual Irene da Silva Costa, no Jardim Itapeva, participaram do projeto “Juventude e Paz na Intermídia”. Os conteúdos produzidos pelos alunos passaram a integrar a programação da Rádio Z por meio do programa Conexão Z.

A experiência também foi registrada por estudantes de outras escolas. Em 2011, alunos da Escola Estadual Jardim Zaíra VIII visitaram os estúdios da emissora para conhecer seu funcionamento e conversar com o jornalista Valmir Maia.

A rádio diante das tragédias da cidade

A atuação comunitária da Rádio Z ganhou ainda mais relevância em momentos de crise.

Em 2011, um deslizamento de terra em Mauá provocou a morte de cinco pessoas, enquanto 135 casas foram derrubadas ou interditadas pela Defesa Civil. Segundo pesquisa apresentada no ENANPUR, Valmir Maia participou da cobertura do episódio pela Rádio Z e utilizou também carros de som para orientar moradores sobre a necessidade de procurar os abrigos disponibilizados pelo poder público.

O episódio demonstra uma das características que marcaram a comunicação comunitária: a proximidade com os moradores e a possibilidade de transmitir informações diretamente para as pessoas afetadas.

Uma emissora que entrou para a memória de Mauá

Ao longo de sua trajetória, a Rádio ZFM tornou-se mais do que uma frequência no dial. A emissora participou de experiências envolvendo comunicação, educação, cultura, esporte e mobilização comunitária.

Registros da década de 2010 mostram que a programação continuava sendo transmitida pelos 87,5 FM e também pela internet. Entre os programas divulgados na época estava o “Manhã de Alegria”, transmitido aos sábados, além de atrações musicais e comunitárias.

A história da Rádio Z também ajuda a compreender uma fase importante da comunicação de Mauá: um período em que uma rádio local podia funcionar como espaço de encontro entre moradores, escolas, entidades, movimentos sociais e diferentes setores da cidade.

Hoje, quando grande parte da comunicação acontece pelas redes sociais, sites e aplicativos, recuperar a trajetória da Rádio ZFM é também preservar a memória de uma época em que a voz da comunidade chegava aos bairros pelas ondas do rádio.

Para Mauá, a história da Rádio Z representa um capítulo importante da comunicação local e da participação comunitária, especialmente por ter surgido de uma iniciativa ligada diretamente aos moradores e às necessidades do município.