Musica

Prophetic Age: 30 anos de metal extremo com raízes em Mauá e um novo capítulo com Evolution’s Decay

Formado em Mauá em 1996, o Prophetic Age construiu uma trajetória de três décadas no metal extremo brasileiro, passando por diferentes formações, lançamentos, mudanças e um período de hiato. A banda ganhou destaque no underground nacional com trabalhos como a demo On the Way of Eternity, os álbuns Prophetic Age e Forged in the Blackest of Metals e apresentações ao lado de nomes internacionais como Marduk e Behemoth.

Prophetic Age: 30 anos de metal extremo com raízes em Mauá e um novo capítulo com Evolution’s Decay

Há três décadas, Mauá ajudava a revelar uma das bandas que se tornariam nomes importantes do metal extremo brasileiro. Formado em 1996, o Prophetic Age construiu sua trajetória a partir do underground mauaense e, ao longo dos anos, passou por diferentes formações, mudanças de integrantes, um período de hiato e um retorno que culmina agora em um novo capítulo: o álbum Evolution’s Decay, lançado em 2026, justamente quando o grupo completa 30 anos de carreira.

A história começou em Mauá, em 1996, quando Samash, Rheiss e Gregor formaram o Prophetic Age. Nos primeiros tempos, o grupo trabalhava com covers de bandas de metal extremo e começava a desenvolver suas próprias composições. A primeira formação tinha Samash na bateria, Rheiss nas guitarras e Gregor no baixo. Posteriormente, Enrico Valveson assumiu os vocais.

A relação com o underground de Mauá foi fundamental para o desenvolvimento da banda. Em uma época em que a divulgação dependia fortemente de fitas demo, fanzines, cartas e shows, o Prophetic Age construiu seu espaço a partir da cena independente da região. A cidade aparece não apenas como local de origem, mas como parte da própria identidade histórica do grupo.

A fusão que mudou a história da banda

Um dos momentos decisivos aconteceu entre 1998 e 1999. O Prophetic Age passou por mudanças internas ao mesmo tempo em que o Nocternity, outra banda ligada à cena local, enfrentava problemas em sua formação.

Segundo a biografia publicada pelo Whiplash, os integrantes remanescentes dos dois grupos decidiram realizar uma fusão, mantendo o nome Prophetic Age. Entre os músicos envolvidos estava Sferatu, que havia participado do Nocternity como guitarrista e vocalista.

Essa transformação deu origem à formação que consolidaria a identidade do Prophetic Age nos anos seguintes. Sferatu passou a ocupar os vocais, enquanto Rheiss e Gregor permaneceram na banda. Samash continuou na bateria e, posteriormente, diferentes músicos passaram pelos teclados e outros postos.

A formação registrada no período do primeiro álbum reunia K. Gregory no baixo, Sferatu nos vocais, Samash na bateria e Rheiss nas guitarras. O tecladista Zagreus também participou da história da banda, sendo posteriormente substituído por Funebris Mortum.

As primeiras gravações

Em 1997, o Prophetic Age lançou a demo tape On the Way of Eternity. O material ajudou a banda a conquistar espaço na cena e abriu caminho para uma série de apresentações.

O primeiro álbum oficial, Prophetic Age, chegou em 2001. O disco foi gravado no estúdio Da Tribo e mixado por Marcello Pompeu, do Korzus. A obra apresentava uma combinação de guitarras agressivas, vocais extremos, bateria intensa, melodias e passagens de teclado, características que ajudaram a definir a sonoridade do grupo.

O álbum rapidamente ganhou repercussão no underground. De acordo com a própria banda, o CD se esgotou após seu lançamento e recebeu atenção de revistas e fanzines especializados.

Em 2003, veio Forged in the Blackest of Metals, lançado pela Hellion Records. O trabalho ampliou a projeção nacional do Prophetic Age e levou a banda a participar de programas de rádio e televisão especializados em rock e metal.

Outro registro importante daquele período foi Ours Are the Late Hours, álbum ao vivo lançado em 2003. O disco foi registrado durante apresentações da banda e ganhou um significado especial para a história do grupo: seu lançamento aconteceu em um show comemorativo realizado em Mauá, em 8 de março de 2003.

Mauá no mapa do metal extremo

A trajetória do Prophetic Age também se conecta a alguns dos momentos importantes do metal extremo internacional no Brasil.

Em 2003, a banda foi convidada para abrir o show do Marduk em São Paulo. No ano seguinte, participou da abertura do primeiro show do Behemoth no Brasil. Esses episódios são lembrados pelos próprios integrantes como momentos marcantes da primeira fase da carreira.

O resultado é uma trajetória que conecta diretamente Mauá a uma importante fase de expansão do metal extremo brasileiro no início dos anos 2000.

Depois de dez anos de atividade, o Prophetic Age entrou em hiato em 2006. Nesse período, sua formação original sofreu novas alterações. Registros históricos apontam a passagem de músicos como Rafael Mardraum e A.Lien, além de diferentes integrantes nos teclados e bateria.

O retorno

A história ganhou um novo capítulo em 2021, quando o Prophetic Age retomou suas atividades.

O retorno reuniu novamente nomes fundamentais da trajetória original: Gregor no baixo, Rheiss nas guitarras e Sferatu nos vocais. Brahmss Kermanns passou a integrar a formação nos teclados, enquanto M. Nerbirvs assumiu inicialmente a bateria. Em 2024, Miction Mastemas passou a ocupar o posto de baterista.

A retomada resultou no EP Desolated Landscape, lançado em 2022, mostrando que o retorno não seria apenas uma reunião nostálgica. A proposta era continuar produzindo material novo e atualizar a identidade musical construída desde os anos 1990.

Evolution’s Decay: 30 anos olhando para o futuro

Em 2026, o Prophetic Age completa três décadas e apresenta Evolution’s Decay.

O álbum foi gravado no Dual Noise Studio, em São Paulo, com Rogério Wecko responsável pela engenharia, mixagem e masterização. São dez faixas inéditas, totalizando aproximadamente 43 minutos de música.

O repertório reúne:

Doomsday Clock
Ravenous
Visitors
Dive Into Darkness
Abomination
Evolution's Decay
Dark End Storm
None Of The Weak Will Stand
The Living Dead
Beasts Of The Haunted Night

O próprio processo de criação reforça uma característica que acompanha a banda desde sua origem: o trabalho coletivo. Segundo Rheiss, as músicas são construídas pelo grupo, enquanto Sferatu é responsável pelas letras. As bases musicais são desenvolvidas principalmente por Sferatu, Rheiss e Gregor, posteriormente trabalhadas pela bateria de Miction Mastemas e pelos teclados de Brahms Kermanns.

Musicalmente, o álbum mantém a agressividade característica do Prophetic Age, mas amplia suas atmosferas. Os teclados assumem papel importante na construção das paisagens sonoras, enquanto algumas faixas exploram elementos mais atmosféricos e aproximações com o doom metal.

Um álbum sobre decadência

O conceito de Evolution’s Decay gira em torno de uma visão sombria sobre a trajetória da humanidade.

Nas letras, Sferatu aborda temas como decadência da civilização, vazio cósmico, destruição, poder, colapso e a relação entre progresso e autodestruição. A faixa-título percorre simbolicamente a trajetória humana desde os primeiros tempos até um cenário marcado por guerras, fábricas e destruição nuclear.

Outras músicas desenvolvem diferentes aspectos desse universo. Visitors trabalha com a ideia de uma ameaça externa; The Living Dead utiliza a figura dos mortos-vivos como metáfora social; Abomination coloca a humanidade diante da dimensão do cosmos; enquanto Dark End Storm aborda o próprio metal extremo como manifestação artística.

A capa do álbum foi criada pelo próprio baterista Miction Mastemas, incorporando visualmente a atmosfera conceitual do trabalho.

Evolution’s Decay foi lançado digitalmente e também ganhou edição física em CD pela UBL. Uma edição em fita K7 está prevista pela Sapo Discos.

A formação atual

Em 2026, o Prophetic Age é formado por:

Sferatu — vocais
Rheiss — guitarra
Gregor — baixo
Brahms Kermanns — teclados
Miction Mastemas — bateria

Entre os integrantes atuais, Gregor e Rheiss estão na banda desde sua fundação em 1996, enquanto Sferatu passou a integrar o Prophetic Age na segunda metade dos anos 1990. Essa continuidade ajuda a ligar diretamente a formação atual às origens da banda em Mauá.

Três décadas depois

A história do Prophetic Age é também a história de uma parcela do underground de Mauá e do Grande ABC. Nascida em 1996 em uma época em que uma banda independente precisava construir sua reputação praticamente do zero, a banda atravessou diferentes gerações, formações e transformações na indústria musical.

Dos primeiros ensaios e da demo On the Way of Eternity aos álbuns Prophetic Age e Forged in the Blackest of Metals; dos shows históricos com Marduk e Behemoth ao hiato; do retorno com Desolated Landscape ao atual Evolution’s Decay, a trajetória demonstra uma continuidade que atravessa três décadas.

E, em vez de transformar os 30 anos em uma simples celebração do passado, o Prophetic Age apresenta um álbum voltado para temas do presente e do futuro. Para uma banda que nasceu no underground de Mauá em 1996, Evolution’s Decay representa mais um capítulo de uma história que continua sendo escrita.