Para ler, tocar e descobrir: Centro Cultural São Paulo oferece circuito de leitura gratuito com mangás, acervo em Braille e mais de 110 mil obras
Bibliotecas do equipamento da Prefeitura reúnem edições históricas que passam por exemplares da Turma da Mônica, títulos infantis adaptados e clássicos da literatura nacional e internacional
Explorar os corredores do icônico prédio Centro Cultural São Paulo (CCSP), na região central da capital, traz novas descobertas para os amantes da leitura e revela uma rota literária que conecta diferentes gerações e linguagens. O equipamento mantido pela Prefeitura de São Paulo oferece ao público um circuito para lá de especial e que inclui a Gibiteca Henfil e as bibliotecas Louis Braille e Sérgio Milliet. O acesso é gratuito e todos os acervos, juntos, reúnem mais de 140 mil obras.
Pesquisa, literatura e preservação são os principais atrativos da Biblioteca Sérgio Milliet. O nome faz homenagem ao escritor, crítico de arte, pintor, poeta e tradutor brasileiro, considerado um dos grandes nomes da primeira fase do Modernismo no Brasil. O local reúne o segundo maior acervo abrigado em bibliotecas municipais - 112,5 mil exemplares -, atrás apenas da Biblioteca Mário de Andrade. Marco que deu origem ao CCSP, há 42 anos, a Sérgio Milliet organiza suas coleções em áreas que abrangem Literatura, Ciências Sociais, Artes, Ciências Exatas, Jornalismo e Informática.
Pelo local passam diariamente estudantes, concurseiros e pesquisadores. “É um público muito variado. Há muitos estudantes, concurseiros e outros leitores. Há muitas pessoas que ainda retiram livros para empréstimo”, afirma o bibliotecário Gabriel Leite Macedo, de 23 anos.
A Biblioteca Sérgio Milliet recebe o público de terça a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h.
Acessibilidade visual, tecnologia e convivência
A vocação democrática do CCSP também se revela em um importante espaço cultural e acessível: a Biblioteca Louis Braille - educador francês do século 19 e criador do sistema de escrita e leitura em Braille, que oferece atendimento especializado voltado para pessoas cegas e com baixa visão.
O setor disponibiliza 15 equipamentos de tecnologia assistiva, incluindo quatro óculos inteligentes OrCam MyEye (que escaneiam textos e reconhecem rostos), duas lupas eletrônicas, dois computadores com leitor de tela NVDA (que narra o conteúdo visual para os usuários), scanner digitalizador, linhas Braille, impressora adaptada e quatro máquinas de datilografia tátil.
O suporte pedagógico e a integração familiar também fazem parte das atividades diárias. O local conta ainda com livros infantis adaptados simultaneamente com fontes ampliadas e caracteres em Braille. “Isso é para a mãe acompanhar a leitura da criança que está conhecendo os primeiros passos, lendo em conjunto o que está escrito em Braille e em tinta”, explica o funcionário Edivaldo dos Santos, que atua na unidade há mais de três décadas.
A biblioteca acessível oferece ainda o Curso de Leitura e Escrita Braille, que possui certificação e é ministrado gratuitamente pela professora Maria Elisa Poli em duas edições ao ano, com 20 horas divididas em dez encontros semanais.
Para quem deseja levar obras para casa, o empréstimo domiciliar especial permite a retirada presencial de até três títulos por 30 dias, prazo que pode ser renovado por mais 30 dias, via telefone ou e-mail.
Para os usuários frequentes, o ambiente vai além da pesquisa. A aposentada Gasparina Martins, 75 anos, moradora do Ipiranga, é leitora assídua e atua como voluntária na conferência de novos materiais transcritos. Após retomar e concluir seus estudos até o nível superior por meio do acervo acessível, ela destaca o valor coletivo do equipamento: “A importância é que a pessoa pode usar aqui para o estudo, para ter acesso aos livros e também para se relacionar com o social. É um espaço para conversar, marcar encontros e trocar ideias”.
O atendimento na Biblioteca Louis Braille ocorre de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 18h, com acesso liberado até meia hora antes do encerramento.
Universo dos quadrinhos e da cultura pop
Apaixonados por histórias em quadrinhos encontram um verdadeiro oásis na Gibiteca Henfil - que recebeu esse nome em homenagem ao cartunista e chargista brasileiro falecido em 1988. O ambiente abriga um catálogo de mais de 24 mil títulos, abrangendo gêneros como aventura, ação, ficção científica e mangás, que vão da história da matemática às origens do hip hop.
A gibiteca preserva ainda um acervo histórico, com itens de editoras nacionais clássicas, publicações históricas do jornal O Pasquim e uma primeira edição da revista infantil A Turma da Mônica, autografada por Mauricio de Sousa.
A riqueza dos títulos disponíveis mobiliza novos frequentadores, inclusive os que não moram na capital. É o caso da analista de dados Caroline Manworton Luzio, de 28 anos, moradora de Santo André, que visitou o espaço pela primeira vez.
Leitora de mangás desde a adolescência, Caroline encontrou na Gibiteca a oportunidade de colocar seu hobby em dia: “Eu leio mangás desde os 12 anos e fiquei impressionada porque tem tudo aqui. É um material caro para comprar e raro em sebos. Logo, ter tudo aqui me dá liberdade para conseguir ler coleções completas”, explica.
A experiência foi compartilhada pelo analista de dados Guilherme Aires, 31 anos, que também reside em Santo André e aproveitou o acervo para revisitar memórias da infância: “Eu li muitos desses mangás quando era mais novo. Alguns títulos eram edições difíceis de achar na época, e aqui temos acesso a toda essa arte e a diversos mangakás famosos”.
A Henfil também promove a Estação Nerd, parceria da Prefeitura com a Editora Devir, até o fim do ano. A programação gratuita acontece aos sábados, a partir das 14h, com jogos de tabuleiro, aulas sobre quadrinhos, mangás e bate-papos (com cronograma completo no Instagram @estacaonerdsp). A gibiteca funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h.
Serviço
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso (ao lado da estação Vergueiro do Metrô – Linha 1- Azul)
Gibiteca Henfil: Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h
Biblioteca Louis Braille: Terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 18h
Biblioteca Sérgio Milliet: Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h
Entrada: Permitida até 30 minutos antes do fechamento de cada biblioteca
Acesso e empréstimos: Gratuitos (empréstimos mediante apresentação de documento com foto e comprovante de residência)











