História

Jardim Zaíra: como começou a história de um dos maiores bairros de Mauá

A história do Jardim Zaíra começou em uma antiga área rural de Mauá, marcada por sítios, plantações e grandes propriedades. Em 1952, Chafik Mansur Sadek adquiriu as terras que dariam origem ao bairro e iniciou o processo de loteamento, posteriormente aprovado em duas grandes glebas, em 1956 e 1960. O nome Jardim Zaíra foi uma homenagem à mãe do loteador. A oferta de terrenos a preços acessíveis e materiais para a construção das casas ajudou a atrair famílias e acelerou a ocupação da região. Com o passar das décadas, o Zaíra cresceu e se tornou um dos maiores e mais importantes bairros de Mauá.

Jardim Zaíra: como começou a história de um dos maiores bairros de Mauá

Um dos bairros mais conhecidos e populosos de Mauá nasceu a partir de antigas terras rurais e ganhou força com a abertura de loteamentos na década de 1950

Antes de se transformar em um dos bairros mais populosos de Mauá, o Jardim Zaíra era uma extensa área de terras rurais, marcada por sítios, matas e plantações. A história do bairro começa muito antes das ruas, casas e comércio que hoje fazem parte da paisagem da região.

De acordo com registros reunidos pelo jornalista Ademir Medici no livro De Pilar a Mauá, uma das primeiras referências relacionadas à região é o antigo sítio do Corumbé. A publicação registra que, em 1915, o casal espanhol Eufemia Piorno Terron e Marcos Rojas Cabezas chegou a Pilar e comprou um sítio no Corumbé, área que atualmente corresponde ao Jardim Zaíra. No local, a família cultivava verduras e frutas, que eram enviadas pela ferrovia para São Paulo e Santos.

Das antigas propriedades ao loteamento

A transformação definitiva da região começou décadas depois. Segundo depoimento registrado no livro, Rosa Viola, integrante de uma antiga família de Mauá e ex-funcionária da chamada Fábrica Grande, relatou que Chafik Mansur Sadek comprou, em 1952, as terras que posteriormente dariam origem ao Jardim Zaíra.

As propriedades pertenciam a João Jorge Figueiredo, proprietário da Fábrica Grande, localizada na região da atual Avenida Presidente Castelo Branco. Eram aproximadamente 185 alqueires de terras.

Na época, a paisagem era bastante diferente da atual. Segundo o relato, existiam cerca de 600 mil pés de eucalipto, cuja madeira era utilizada como lenha nos fornos da Fábrica Grande. Grande parte da área ainda era ocupada por mato e propriedades rurais.

Depois de adquirir as terras, Chafik Sadek começou a vender as casas que já existiam na propriedade, muitas delas ocupadas por trabalhadores que atuavam para João Jorge Figueiredo. Posteriormente, iniciou-se o processo de loteamento da área.

O nascimento do Jardim Zaíra

A Prefeitura registrava o Jardim Zaíra dividido em duas grandes glebas, que foram aprovadas em momentos diferentes: a primeira em 1956 e a segunda em 1960. Esse processo ajudou a transformar uma enorme área de antigas propriedades em um novo espaço urbano de Mauá.

O nome do bairro também tem uma história familiar. O loteador Chafik Mansur Sadek deu à nova região o nome de Jardim Zaíra em homenagem à sua mãe.

Uma estratégia para atrair compradores

A venda dos terrenos contou com uma estratégia que ajudou a acelerar a ocupação da região.

Segundo De Pilar a Mauá, quem comprasse um terreno recebia materiais que ajudavam a iniciar a construção de uma casa popular: cinco mil tijolos, 100 telhas, um vitrô, uma janela e uma porta.

Somados ao preço mais baixo dos terrenos, esses benefícios atraíam principalmente famílias de menor renda, contribuindo para a rápida ocupação do bairro.

O resultado foi um crescimento expressivo. Em depoimento registrado em 1976, uma moradora que vivia no Zaíra desde 1958 relatava que muitas pessoas continuavam chegando ao bairro, inicialmente atraídas pelos terrenos e pelos materiais de construção oferecidos pelo loteador.

De área rural a um dos grandes bairros de Mauá

O crescimento do Jardim Zaíra acompanhou a própria expansão urbana de Mauá. O bairro passou a receber cada vez mais moradores, comércio, transporte, igrejas e equipamentos sociais.

Em 1975, por exemplo, foi inaugurada uma nova igreja no bairro, construída com recursos arrecadados em quermesses e substituindo uma antiga capela.

A história do Zaíra também revela uma característica importante do processo de urbanização de Mauá: antigas áreas rurais foram gradativamente transformadas em loteamentos populares para atender uma população que crescia rapidamente.

Em 1982, documentos municipais citados no livro apontavam que o Jardim Zaíra já era formado por seis grandes loteamentos, abrangendo mais de um setor da cidade.

Uma história que continua viva

A trajetória do Jardim Zaíra é, portanto, parte da própria história da expansão de Mauá. Das antigas propriedades rurais e dos milhares de eucaliptos às ruas movimentadas e às milhares de famílias que passaram a viver na região, o bairro acompanhou as grandes transformações sociais e urbanas do município.

Hoje, ao caminhar pelo Jardim Zaíra, é difícil imaginar que aquela região já foi formada por sítios, matas e grandes propriedades rurais. Mas a memória preservada por antigos moradores e registros históricos mostra como, em poucas décadas, uma área que fazia parte da paisagem rural de Mauá se transformou em um dos principais centros urbanos do município.

A história do Jardim Zaíra ajuda, assim, a compreender não apenas o nascimento de um bairro, mas também como Mauá cresceu, recebeu novos moradores e se transformou em uma das cidades mais importantes do Grande ABC.

Fonte histórica: MEDICI, Ademir. De Pilar a Mauá. Mauá: Prefeitura do Município de Mauá, 1987. 468 p. A obra reúne fotografias, documentos e depoimentos relacionados à formação histórica do município.

Alex Ferreira é pesquisador, empreendedor e produtor de conteúdo. Formado em Publicidade e Propaganda, com MBA em Marketing e Varejo, também cursou Gestão Pública e Turismo e Hospitalidade. Atua na criação e gestão de projetos nas áreas de comunicação, cultura e eventos. É idealizador do Mauá Memória, projeto dedicado à preservação e divulgação da história de Mauá e do Grande ABC. Sua trajetória reúne experiência em comunicação, empreendedorismo, planejamento e gestão, com foco no desenvolvimento de projetos e na valorização da comunidade.