Entrevista com o Caricaturista de Mauá Vagnerarte
Vagner Franco de Freitas, conhecido como Vagnerarte, é cartunista, caricaturista ao vivo e ilustrador de livros infantis. Natural de Mauá, começou a desenhar ainda na infância, inspirado por desenhos animados, histórias em quadrinhos e super-heróis. Ao longo da carreira, conciliou o desenho técnico com a caricatura até transformar a arte em profissão. Na entrevista, fala sobre suas principais influências, o processo de criação, experiências marcantes com o público, a importância de Mauá em sua trajetória e os desafios da caricatura diante das redes sociais e da inteligência artificial.
Vagnerarte: “Procuro exagerar sem ofender”, diz cartunista e caricaturista de Mauá
Vagner Franco de Freitas, conhecido artisticamente como Vagnerarte, é cartunista e caricaturista ao vivo. Formado em História em Quadrinhos pela Oficina de Artes de Santo André, já realizou trabalhos para jornais de empresas e outras publicações. Atualmente, atua com caricaturas ao vivo e também como ilustrador de livros infantis.
Nesta entrevista, Vagnerarte fala sobre sua paixão pelo desenho desde a infância, as influências que marcaram sua carreira, o processo de criação de uma caricatura, sua relação com Mauá e os desafios da profissão diante das redes sociais e da inteligência artificial.
1. Como começou sua paixão pelo desenho e pela caricatura?
Desde criança sempre fui fascinado por desenhos animados e histórias em quadrinhos. Eu sempre desenhava em “papel de pão” com caneta esferográfica e, quando tinha, usava canetinhas Sylvapen.
Eu era muito televisivo e gostava, sobretudo, dos personagens da Hanna-Barbera.
Lembro-me de desenhar vários personagens, como Lula Lelé, Capitão Caverna e Zé Colmeia. Também desenhava muitos super-heróis e animes antigos, como Jet Marte, Judoca e Fantomas.
2. Em que momento você decidiu se tornar caricaturista?
Comecei muito cedo. Na escola, desenhava colegas de classe e professores desde a pré-adolescência e durante a adolescência.
Na vida adulta, porém, fiquei alternando entre o desenho técnico no setor industrial e a caricatura, que acabou se tornando um hobby levado a sério.
3. Quais artistas mais influenciaram o seu trabalho?
Na animação, Walter Lantz e Walt Disney. Nos quadrinhos, John Buscema e José Garcia Lopes. Na caricatura, Tom Richmond, Paulo Caruso, Ique, entre outros.
4. Como você define o seu estilo de caricatura?
Meu estilo é mais cartunizado. Gosto de divertir quem está sendo desenhado.
Embora crie algumas obras para salões de humor, onde vale quase tudo, procuro exagerar sem ofender.
5. Qual foi a caricatura mais marcante que você já fez?
É difícil falar qual foi a mais marcante. Já fiz caricaturas do dublador Guilherme Briggs, da cantora Simone Mendes, entre outros famosos.
Mas existe um desenho que é muito marcante para mim: uma Barbie que desenhei para minha filha em 2012. Foi feito em um momento bastante delicado da minha vida, mas representou meu retorno às artes depois de um período sem desenhar.
6. Como é o processo de criação de uma caricatura?
A observação é o primeiro passo para uma boa caricatura, pois a identificação é um dos pilares dessa arte.
Depois vem a escolha da característica que será exagerada, seguida pelo desenho em si, que pode ser realizado com diversos materiais.
Por fim, vem a apresentação, que considero a parte mais importante do trabalho.
7. O que você observa primeiro em uma pessoa antes de fazer uma caricatura?
Primeiro, o estado de humor. Tento identificar por que a pessoa quer aquela arte.
Ela quer rir de si mesma? Busca uma válvula de escape para alguma frustração? É um presente para alguém amado?
Depois observo as características faciais, como nariz, olhos, boca, orelhas, cabelo e formato do rosto.
8. Já teve alguma reação inusitada de alguém ao receber uma caricatura sua?
Sim. Uma vez desenhei uma criança vestida de Homem-Aranha e fiz, sem que a mãe percebesse, a mãe como Gwen-Aranha.
Quando ela viu, começou a chorar, porque disse que as mães sempre são invisíveis. Ela ficou muito emocionada por ter sido incluída no desenho.
9. Como Mauá influencia o seu trabalho artístico?
Mauá é a minha cidade. Nasci e cresci lá. Meu primeiro desenho em uma exposição foi em Mauá, ainda nos anos 1980.
Tive e continuo tendo muitas oportunidades de trabalhar na cidade, mostrando o meu trabalho.
Recentemente, trabalhei na 38ª Quermesse de Mauá, onde reencontrei muitos amigos e desenhei vários artistas famosos.
10. Como você vê o espaço da caricatura atualmente, diante das redes sociais e da inteligência artificial?
Vamos por partes.
As redes sociais desempenham um papel importante na vida do caricaturista. A visibilidade alcançada hoje ajuda a chegar a mais clientes e a pessoas que apreciam nosso trabalho.
Em relação à inteligência artificial, atualmente temos vários filtros que fazem caricaturas. Porém, as pessoas que gostam de caricatura valorizam não somente o desenho, mas também a interação, a conversa, o suspense e a exclusividade de uma arte feita por um artista de verdade.
11. Que conselho você daria para quem deseja trabalhar com desenho e arte?
Tenha como objetivo fazer o melhor para o seu público, em todos os sentidos: uma arte bem feita e uma boa comunicação com as pessoas.
Domine o máximo de técnicas possíveis e procure melhorar a cada dia, inclusive nas técnicas de que você não gosta.
12. Quais são seus próximos projetos como caricaturista?
Continuar desenhando ao vivo e participar de salões de humor nacionais e internacionais. Tenho me preparado para isso.
Também pretendo, a médio prazo, oferecer mentoria para artistas profissionais e amadores.
Sobre Vagnerarte
Vagner Franco de Freitas, o Vagnerarte, é cartunista e caricaturista ao vivo, formado em História em Quadrinhos pela Oficina de Artes de Santo André. Com uma trajetória marcada pela paixão pelos desenhos animados, quadrinhos e caricaturas, atualmente também trabalha como ilustrador de livros infantis.
Contato: Instagram: @vagnerarte Telefone/whatsapp 11 982551332
Fotos: @grega_foto












