A fórmula do sucesso: por que influencers conquistam votos enquanto candidatos conhecidos ficam pelo caminho
As eleições de 2026 mostram uma transformação na comunicação política: influencers conseguiram transformar audiência em votos, enquanto candidatos famosos não necessariamente converteram notoriedade em confiança eleitoral. Entenda como redes sociais, identificação, comunidade e comunicação podem explicar esse fenômeno.
Por Alex Ferreira
As eleições de 2026 deixaram uma lição que vai muito além dos números das urnas: ser conhecido não significa, necessariamente, ser influente.
Enquanto candidatos com carreiras consolidadas na televisão, no esporte, na música ou em outras áreas conseguiram enorme exposição pública, alguns influencers e produtores de conteúdo transformaram seguidores em votos e conquistaram espaço na política.
Mas qual é a fórmula desse sucesso?
A resposta passa por uma mudança profunda na maneira como as pessoas consomem informação, constroem confiança e escolhem seus representantes.
Fama não é influência
Durante décadas, uma pessoa conhecida nacionalmente já começava uma eleição com uma vantagem importante. Bastava aparecer na televisão, no rádio ou em grandes veículos de comunicação para ser reconhecida pelo eleitor.
As redes sociais mudaram esse cenário.
Hoje, um candidato pode ter milhões de seguidores, mas isso não significa que tenha uma comunidade realmente engajada. Da mesma forma, um influencer com uma audiência menor pode possuir uma relação muito mais próxima com seu público.
A diferença está entre ser famoso e ter influência.
O eleitor das redes sociais não acompanha apenas o personagem público. Ele acompanha opiniões, rotina, posicionamentos, vídeos, transmissões ao vivo e, principalmente, a maneira como aquela pessoa se comunica.
O candidato que consegue transformar essa audiência em uma comunidade cria algo que a propaganda eleitoral tradicional nem sempre consegue produzir: identificação.
A fórmula do candidato influencer
Não existe uma fórmula matemática capaz de garantir uma eleição. Porém, alguns elementos aparecem com frequência nas campanhas de candidatos que conseguem transformar popularidade digital em votos.
1. Comunicação simples
Influencers normalmente falam com o público utilizando uma linguagem direta.
Eles não precisam transformar cada mensagem em um discurso político tradicional.
Falam como falariam em um vídeo comum.
Essa proximidade pode fazer com que o eleitor perceba o candidato como alguém mais acessível e menos distante da realidade cotidiana.
2. Presença constante
A televisão apresenta o candidato durante determinado período.
Nas redes sociais, entretanto, o candidato pode aparecer todos os dias.
Um vídeo pela manhã, uma opinião durante a tarde, uma transmissão ao vivo à noite e conteúdos publicados ao longo da semana ajudam a construir uma presença permanente.
A campanha deixa de ser apenas uma propaganda e passa a fazer parte da rotina do eleitor.
3. Identificação com o público
O influencer já possui uma comunidade construída antes da eleição.
Seus seguidores conhecem sua personalidade, suas opiniões e até seus hábitos.
Quando essa pessoa entra na política, parte dessa relação já existe.
O candidato tradicional, por outro lado, muitas vezes precisa construir essa conexão em poucos meses.
4. Conteúdo adaptado às redes
Outro fator importante é entender que cada plataforma possui uma linguagem.
Vídeos curtos, cortes, memes, transmissões ao vivo, perguntas e respostas e conteúdos espontâneos podem alcançar pessoas que dificilmente seriam impactadas por uma propaganda convencional.
Não basta estar nas redes.
É preciso saber comunicar dentro delas.
5. Comunidade, e não apenas seguidores
Talvez essa seja uma das diferenças mais importantes.
Ter 500 mil seguidores não significa ter 500 mil eleitores.
O que transforma seguidores em votos é o nível de envolvimento.
Comentários, compartilhamentos, grupos, mensagens, identificação com ideias e participação ativa criam uma comunidade.
E comunidades são muito mais poderosas eleitoralmente do que simples números de audiência.
Por que candidatos famosos podem fracassar?
O resultado das eleições também mostra o outro lado dessa história.
Alguns candidatos conhecidos conseguiram enorme repercussão, mas não transformaram a fama em votos suficientes para conquistar uma vaga.
Isso acontece porque reconhecimento não é sinônimo de intenção de voto.
Uma pessoa pode ser conhecida por milhões de brasileiros e, ainda assim, não ser considerada uma boa opção política.
Existe uma diferença enorme entre:
"Eu conheço essa pessoa."
e
"Eu votaria nessa pessoa."
A primeira frase representa notoriedade.
A segunda representa confiança eleitoral.
O problema de depender apenas da fama
Celebridades que entram na política podem cometer um erro estratégico: acreditar que a própria popularidade será suficiente.
Mas o eleitor quer saber:
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Quais são as propostas?
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Qual é a posição do candidato sobre os principais problemas?
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O que ele pretende fazer?
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Ele conhece a realidade da população?
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Por que deveria receber meu voto?
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O que diferencia esse candidato dos demais?
A fama pode abrir a porta.
Mas é a comunicação que precisa convencer o eleitor a entrar.
Redes sociais também podem destruir uma candidatura
O mesmo ambiente que cria fenômenos políticos pode prejudicar candidatos.
Nas redes sociais, uma declaração pode viralizar em poucas horas.
Um erro de comunicação pode alcançar milhões de pessoas.
Uma resposta mal interpretada pode se transformar em crise.
Por isso, comunicação política digital não significa simplesmente publicar vídeos.
É necessário planejamento, posicionamento, monitoramento e capacidade de reação.
O eleitor está escolhendo candidatos ou comunidades?
Essa talvez seja uma das principais perguntas para entender as eleições modernas.
O eleitor deixou de receber informação exclusivamente dos grandes veículos de comunicação.
Hoje, ele também recebe conteúdo de criadores, influencers, grupos de WhatsApp, vídeos curtos, podcasts, transmissões ao vivo e comunidades digitais.
Isso cria um novo modelo de formação de opinião.
O influencer não precisa necessariamente convencer uma pessoa desconhecida.
Ele já possui uma relação construída com sua audiência.
Durante uma eleição, essa relação pode se transformar em mobilização política.
A nova comunicação política
A política está passando por uma transformação semelhante àquela que ocorreu no marketing.
Antigamente, uma empresa precisava anunciar para milhões de pessoas.
Hoje, marcas procuram comunidades específicas.
Na política ocorre algo semelhante.
O candidato que entende seu público consegue produzir uma comunicação muito mais direcionada.
Um candidato pode falar sobre empreendedorismo para empreendedores, segurança para determinadas comunidades, cultura para trabalhadores do setor cultural, esporte para atletas e torcedores ou problemas específicos de uma cidade.
A comunicação deixa de ser genérica.
Ela passa a ser segmentada.
O futuro pertence ao candidato que sabe conversar
As eleições mostram que a política está cada vez mais próxima da lógica das redes sociais.
Não significa que televisão, rádio, jornais ou eventos presenciais tenham perdido importância.
Significa que o eleitor agora está em vários lugares ao mesmo tempo.
Ele pode conhecer um candidato pela televisão, pesquisar seu nome no Google, assistir a um vídeo no Instagram, receber uma mensagem pelo WhatsApp e depois procurar uma entrevista antes de decidir o voto.
Por isso, a comunicação precisa ser integrada.
A verdadeira fórmula do sucesso
Se fosse necessário resumir a estratégia dos candidatos que conseguem transformar influência digital em desempenho eleitoral, poderíamos chegar a uma fórmula simples:
Influência + identificação + presença constante + comunicação clara + comunidade + posicionamento + confiança = potencial eleitoral.
Mas existe um detalhe fundamental.
Essa fórmula não funciona apenas porque alguém possui muitos seguidores.
A audiência precisa acreditar na pessoa que está falando.
É aí que está a grande diferença entre fama e influência.
A eleição de hoje não é disputada apenas nas ruas, nos palanques ou no horário eleitoral.
Ela também acontece na tela do celular, no feed, nos grupos de conversa e na relação diária entre criador de conteúdo e público.
E essa transformação deve ficar ainda mais evidente nas próximas eleições.
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Alex Ferreira é pesquisador, empreendedor e produtor de conteúdo. Formado em Publicidade e Propaganda, com MBA em Marketing e Varejo, também cursou Gestão Pública e Turismo e Hospitalidade. Atua na criação e gestão de projetos nas áreas de comunicação, cultura e eventos. É idealizador do Mauá Memória, projeto dedicado à preservação e divulgação da história de Mauá e do Grande ABC. Sua trajetória reúne experiência em comunicação, empreendedorismo, planejamento e gestão, com foco no desenvolvimento de projetos e na valorização da comunidade. |












